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Não acredito em outro motivo para a cena abaixo que não seja patriotismo.

Sempre quis uma olimpíada no Brasil, e sempre achei o Rio de Janeiro o local ideal para conseguir isso. Não sei se era o momento, com certeza não era a melhor entre as candidatas, mas o Comitê Olímpico Internacional amoleceu seu coração, assim como a Fifa, e nos deu uma chance. Lembrou que o esporte deve ser disseminado, que isso é valer o espírito olímpico. Essa decisão pode mudar o rumo da realização de outros eventos desse porte.
Mas tudo vai depender do Rio, que vai seguir o caminho inverso de todas as outras Olimpíadas. Os Jogos não vão marcar a entrada do Brasil no 1º Mundo - em sete anos não temos tempo para tanto, apesar de nossas condições terem melhorado. Quando obras seriam adaptadas ou melhoradas, quase tudo terá de ser erguido. Enquanto o trânsito e outros setores da cidade poderiam ser aprimorados, será preciso cumprir promessas antigas engavetadas. No momento em que o mundo ainda se recupera de uma crise, o Brasil é o que mais gastará, e com dinheiro do próprio bolso - menos mal, já que no Pan se prometeu a iniciativa privada, e deu no que deu…
E estou convicto de que o Rio de Janeiro e o Brasil terão condições de fazê-lo, por mais que problemas de corrupção e superfaturamento ainda perdurem neste país. O Rio de Janeiro, e o Brasil precisam disso. O que ainda temo é de que o principal legado que esses jogos devem trazer ao país: a paixão pelo esporte.
Pode-se falar na auto estima do povo, mas esta pode decair no momento em que, anos depois, se perceber que pouco adiantou sediar os jogos. Que as promessas não foram cumpridas, que a estrutura ficou obsoleta, e principalmente, se não tivermos atletas para nas Olimpíadas seguintes continuarem a conquistar medalhas para o país. E é relembrando de esportistas, de todo o país, que tiram o que não tem do bolso para viajar, que cobro a principal mudança, e talvez a mais difícil que o Brasil precise fazer: investir, de verdade, no esporte.
É difícil acreditar que estados irão apoiar as modalidades quando se investiu em gestões anteriores menos de 1% do orçamento geral no setor. Difícil crer que o esporte será prioridade quando se lembra que, durante a crise, o orçamento do Ministério do Esporte foi cortado em mais de 85% - sim, isso tudo neste ano, no ano em que queríamos a confirmação para sediar a primeira Olimpíada da América do Sul.
No país em que professores de educação física são os mais desvalorizados da classe educacional, onde faltam equipamentos esportivos nas escolas, e onde políticos ainda pensam o esporte como meio de tirar jovens da marginalidade, vai ser preciso mudar muita coisa. E não temos sete anos para isso. Os campeões de 2016 precisam ser formados agora no Vôlei, Basquete, Ciclismo, Esgrima, Canoagem, Tiro Esportivo, Hóquei… E para isso será preciso cumprir a constituição, e tornar o esporte direito do povo, e não placebo das mazelas sociais.
Por isso a cobrança, e não haveria dia melhor do que o do próprio anúncio do COI para fazê-lo. É preciso aproveitar a euforia que fez a população se unir para justamente alertar a sociedade, que não quer sediar as Olimpíadas para comemorar um quarto lugar na Natação. Nossa propaganda venceu, mas é preciso trabalhar duro para prestar o serviço direitinho, e cobrar os comandantes para a realização da melhor edição dos Jogos Olímpicos de todos os tempos.
Ouvi vários dirigentes do esporte piauiense, e todos estão esperançosos. Esperam recursos, investimentos, estádios, quadras, pistas e piscinas em todo o país. Na visão deles, o governo agora será obrigado a fazer o investimento que nunca fez. Eles acreditam nas lágrimas do Lula tanto quanto eu.
Ou vai, ou racha. Se o Brasil não conseguir cumprir o principal objetivo de sediar uma Olimpíada, podemos acabar com esse Deus nos Acuda de vez e puxar o cano da descarga.

Deus salve quem inventou isso….
http://www.hitchcockwiki.com/
Nos últimos dias tomou conta dos que sigo no Twitter a discussão sobre um artigo feito por um pastor de uma igreja que condena os homossexuais. Algo, não sei se muito, tem se discutido sobre a intolerância religiosa depois disso, mas o que tem me preocupado é o fato do texto ter sido publicado em veículos de comunicação, possívelmente reforçados errôneamente no preceito de imparcialidade. Uma polêmica gratuita que, quando pensamos em jornalismo como servir, não deveria ser tema de debate pela mídia, já que há nela necessidade em ser útil para algo.
Até mesmo matérias de fofocas podem ser úteis, se trouxerem exemplos de vida para as pessoas, por exemplo. Inútil é insistir em uma discussão que não levará nada adiante, e que, pelo que já soube, é condenada até por outros pastores. Discussão até que não sofreu resposta dos movimentos homossexuais no mesmo tom de comparações rídiculas, como com a lepra - o Grupo Matizes enviou nota, mas contra o jornal O Dia, por ter publicado o artigo. Afinal, eles são conhecedores de que existem religiões com tais preceitos, e não será com provocações mútuas que a intolerância religiosa será desfeita. É como recriminar Testemunhas de Jeová por não doarem sangue, sem discutir os motivos.
Por isso mesmo, os veículos deveriam se preocupar com outras questões. Ao invés de dar voz a um pastor que defende até a morte de travestis quase como em um levante para a guerra, melhor seria levantar o debate sobre as religiões que mantém essa intolerância e as fundamentam com argumentos, e não ofensas. Questioná-las sobre se há perda ou ganho de fiéis, se há imagem negativa ou positiva da religião, se os dois segmentos deverão viver realmente separados ou se há solução para o problema.
O que não dá é para pegar temas como esse e transformá-los em debate tão inútil quanto os dos telejornais piauienses, onde políticos se acusam sem provar nada ao invés de trabalharem pela população, ou ao menos discutirem algo que possa interferir positivamente na vida dos que pagam seus altos salários. Jogar para o vento o debate da intolerância religiosa por mero interesse em criar polêmica é o mesmo que repetir os recentes embates entre os deputados Fernando Monteiro e Roncalli Paulo. O segundo acusa o primeiro de usar a máquina do Estado para tomar eleitores de outros parlamentares, como se eleitor tivesse dono. E o pastor compara os gays à leprosos, como se todos não fossem criados por Deus, no que prega o cristianismo.
Colocadas sem o mínimo de senso crítico, tais discussões são desserviço, e não beiram o sensacionalismo. Em alguns casos, como suicídios disfarçados de “morte misteriosa”, são o próprio - e pior, estimulam mais suicídios. Temos por hábito que sensacionalistas são as matérias que exploram imagens de pessoas mortas, reportagens que gritam no seu ouvido e jorram sangue na sua TV. De forma semelhante, mas, claro que sem a mesma proporção, debates que não levam a lugar algum não são debates. Criar espetáculo com qualquer tema, para mim, é “sensacionalizar”. E achar que isso é dar liberdade de expressão e ser imparcial, é concordar que qualquer coisa, literalmente, pode ser notícia. E é também esquecer que o jornalista tem a obrigação, e não a opção, de discernir o que pode ser levado à sociedade.
Aliás, cabe uma pergunta: quantas pessoas em Teresina estão realmente interessadas nessa discussão?
Costumo dizer que 17 é meu número de sorte, foi minha posição no vestibular. Um mais sete fazem oito, o dia em que nasci. Eu ia escrever outra coisa, mas depois que vi o número nas minhas contas, não resisti.
Anteontem, 28 de julho, completaram exatos 17 anos da primeira medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Espanha. Alexander Popov venceu a prova. O placar eletrônico apontava que Gustavo Borges era o último. Ele foi chorar no seu canto.
Eu tinha 9 anos. Eu nunca me esqueci. Não sei se eu já fazia natação no River Atlético Clube por causa dele, com a ajuda da recomentação médica por escoliose, ou se fui fazer depois de ver a vibração quando corrigiram o resultado.
Gustavo Borges foi prata nos 100m nado livre. Hoje, César Cielo lembrou que via o ídolo nadar e se inspirava. E o Cesão ganhou o Mundial de Desportos Aquáticos e quebrou o recorde mundial dos 100m nado livre. Dezessete anos depois. Se não tivessemos Gustavo Borges, talvez hoje Cielo estivesse ainda brigando por uma prata.
E o Cielo chorou como o Gustavo em 1992, e me fez chorar como quando eu tinha nove anos: escondido, com medo de que alguém mais velho zombasse de mim.
Engraçado que depois joguei vôlei por conta da seleção de ouro do mesmo ano. E o Judô de ouro de Rogério Sampaio inspirou os judocas do Piauí, que hoje me dão motivação para continuar sendo jornalista.
Ué!? Agora piauiense vai reclamar? Antes, o Piauí era excluído em livros de Geografia e tudo mais. Graças a nossa diva Stefhany, estamos no mapa! Já os outros estados…
A tuitada mais perfeita de todas foi de @nataliavaz. Agora somos vizinhos da Joelma e do Chimbinha!
Vinte e seis anos não são nada. Você pensa já ter lido, visto, e ouvido muita coisa, apesar de saber que ainda há muito desconhecido. Da sua e de gerações anteriores - sou fã incondicional dos anos 70. O que jamais pensei foi idolatrar aquilo que nem meus pais viveram, e nem meus avós puderam conhecer.
Gosto dos grandes diretores. Kubrick, Coppola, Polanski, Scorsese, e meu adorável Hitchcock. De todos tenho meus filmes prediletos, e os que menos gosto. Nos últimos meses, no entanto, conheci Billy Wilder melhor, e não consigo mais elaborar aquilo que Rob Gordon faria com maestria em Alta Fidelidade: uma lista de cinco mais.
Quando eu era mais novo, isso uns 12 anos atrás, tinha preconceito com filmes em preto e branco, e fui criando repulsa a efeitos especiais a cada ano de vida. Ver mais da obra de Billy Wilder foi achar um marco em quase tudo o que admiro no cinema: simplicidade, originalidade, e a magia de nos surpreender.
Os efeitos especiais são frases de efeito que você quer ter a chance de poder repetir algum dia (ou não). Como Norma Desmond descendo da escada na cena final de Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses), ou as lições aprendidas por Calvin Clifford Baxter em The Apartment (Se meu apartamento falasse), vencedor do Oscar de 1961.
As cores são o brilho no olhar, os gestos de cada ator, os sinais que cada filme deixa. É o nó na lâmpada e o tabuleiro de xadrez em Stalag 17 (Inferno 17), o espelho quebrado de Fran Kubelic, ou Joe Jillis morto na piscina. Tudo para não dizer do vestido branco de Marilyn Monroe em The Seven Year Itch. Fragmentos que prendem a atenção do começo ao fim. “Recuperar” tais cenas com pigmentos no computador é um sacrilégio.
Velho ou novo, cada dia que passa, o tempo só me prova o quanto não somos ninguém e não sabemos de nada. Billy Wilder ganhou um fã.
Eu já falei sobre ele aqui, mas hoje sou completamente viciado. O “What the movie?” mudou recentemente para se tornar, para mim, a principal fonte de informações sobre filmes depois do IMDB. A diferença é que as informações são todas enviadas por usuários, que antes somavam pontos ao advinhar os filmes pelos frames de cenas. Agora todos somam pontos também por suas contribuições ao banco de dados.
Na versão antiga, eu encarava o wtm? como mera diversão, um jogo mesmo. Agora existem dois rankings: o dos sabichões, e o dos que contribuem votando se a foto é boa, se houve repetição, os que fazem uploads de boas imagens, os que incluem tags nas imagens, fazem resenhas, etc. No final, quando você dá busca por um filme, encontra várias imagens que o fazem lembrar: “caramba, aquela cena, eu nem lembrava…”. Ou você lembraria de tantas coisas em “Efeito Borboleta”
Muita gente, é claro, não entendeu ainda a nova proposta, discutida por meses no fórum do serviço. Votam no filme que gostam, na cena que parece mais fácil. Eu vejo o novo wtm? como um local para quem realmente gosta de cinema, e sabe que cenas importantes merecem ser registradas na web, além de trailers e fotos de divulgação. Por isso, a aprovação de imagens capturadas de filmes tem sido cada vez mais difícil, já que a nota dos usuários determina isso.
Senão, vejamos. Lembra o que significa um peixe em O Poderoso Chefão? Ou quando Rosemary descobre que está sendo vítima de uma trama diabólica envolvendo seu bebê? E as aparições obrigatórias de Hitchcock em seus filmes?
Ou esse aqui, que juro ter visto, mas não lembro qual é.
E quanto mais você participa, mais você sobe de nível, e pode excluir imagens, inserir tags, dar nomes a filmes em outros idiomas, entre outras possibilidades.
O novo wtm? ainda está no modismo da sua propagação mais recente, mas quem entendeu a proposta deve dominar o sistema. Em breve, alguns filmes do wtm? poderão ter mais informações úteis que a página original no IMDB. Eu aposto nisso.
Com uma foto de um tremendo mal gosto, contrastando com um humor negro quase irresistível, o jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro, não poderá ser superado tão cedo em termos de bizarrice. Luciano Huck tuitou, Manoel Filho retuitou, e eu não podia tuitar de novo. Isso merece um post:

Como sou um péssimo jornalista, ainda que diplomado, alguns podem ter entendido mal. E em resposta aos comentários do post anterior.
Não sou contra o fim da obrigatoriedade do diploma, ao contrário. Acho que qualquer pessoa poderia fazer especialização, como nos EUA, ou passar em um Exame de Ordem, tipo o da OAB, sem necessidade de ser formado. O que sou contra é a falta de qualquer formação. O STF não decidiu só que não precisa diploma. Decidiu que não se precisa de qualquer formação. E isso argumentando que os danos provocados nos erros de Jornalismo não podem ser reparados pela formação superior (como em Medicina, Direito [sic] e outros cursos), quando podem sim, em vários casos.
Pra que diploma, se qualquer um pode ter um blog? Eu penso na concessão pública de TVs e Rádios, que deviam ser ao menos exigidas para contratar pessoas com capacidade, mas agora elas não precisam. Deve ser lindo para Rio e São Paulo, mas como fica nos estados menores? Diploma nunca deveria ter sido a discussão. E a decisão pode até melhorar algumas coisas, mas jamais vai sanar problemas crônicos que temos. Em alguns casos, talvez piore.
Enfim, não quero mais discutir isso, porque só tá me dando estresse. O que quero mesmo é cuidar de valorizar tudo o que estudei. Lembrar que fiz um juramento, não para um papel ou para uma universidade, mas para toda a sociedade. Pode parecer demagogia, mas é só nela que eu penso.
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Quem leu, disse:
Em As lágrimas que me dão esperança
Waschbeckenunterschrank: Das hätte ich nun gar nicht gedacht.… [+]
Angila Klemish: Sorry, aber das bezweifel ich ganz stark...Baer [+]
Em Hitchcockwiki
Rafael: ah, o vício! [+]
Em De quando nossa missão era servir
Manoel Filho: "Aliás, cabe uma pergunta: quantas pessoas em… [+]
Eduardo Neves: Muito bom, Fábio. É isso aí. [+]